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A "República do Republicanos"

Partido de Amaro e Erick cresce muito no ES, com chegada de prefeitos

Em poucas semanas, o Republicanos (antigo PRB) saltou de um para sete prefeitos no Espírito Santo, graças a novas filiações no período de mudanças partidárias. Isso fortalece a sigla para a eleição municipal de outubro

Publicado em 17 de Abril de 2020 às 05:00

Públicado em 

17 abr 2020 às 05:00
Vitor Vogas

Colunista

Vitor Vogas

Partido de Erick Musso e Amaro Neto acaba de  filiar muitos prefeitos no ES
Partido de Erick Musso e Amaro Neto acaba de filiar muitos prefeitos no ES Crédito: Amarildo
Ao fim da temporada de trocas partidárias, é possível afirmar: o Republicanos, partido do deputado federal Amaro Neto e do presidente da Assembleia Legislativa, Erick Musso, cresceu muito no Espírito Santo.
Presidido no Estado pelo diretor-geral da Assembleia, Roberto Carneiro, o Republicanos conseguiu emplacar um "7 a 1" ao contrário, isto é, positivo para a agremiação. Sem novas “aquisições”, o partido só teria hoje uma prefeita no Estado: Iracy Baltar, de Montanha. Mas, graças às “contratações” realizadas nas últimas semanas, pulou de 1 para 7 prefeitos!
Além disso, o Republicanos agora pode afirmar que tem prefeitos espalhados por todo o território capixaba. Literalmente, de norte a sul do Espírito Santo: da divisa com a Bahia (Montanha e Pedro Canário) ao Caparaó (Ibatiba), passando pelo Litoral Sul (Itapemirim) e pelo Noroeste (Colatina e Vila Pavão).
Após o troca-troca partidário, a lista completa de prefeitos filiados ao Republicanos no ES ficou assim:
1. Montanha - Iracy Baltar (eleita pelo DEM em 2016, mas já estava no Republicanos);
2. Colatina - Sérgio Meneguelli (ex-MDB);
3. Ibatiba - Luciano Pingo (ex-MDB);
4. Itapemirim - Thiago Peçanha (ex-PSDB);
5. Pedro Canário - Bruno Cinco Estrelas (ex-PSDB);
6. Sooretama - Alessandro Broedel (ex-PSDB);
7. Vila Pavão - Irineu Wutke (ex-Solidariedade).
É claro que esse time de prefeitos deve tentar a reeleição em outubro (asterisco para Meneguelli, que, segundo interlocutores do Republicanos, ainda está refletindo sobre isso). Em teoria, largam com boas chances de reeleição, sobretudo em cidades menores, onde costuma ser ainda maior a influência da prefeitura sobre a população local, como provedora de serviços e, frequentemente, de empregos.
Isso eleva, logicamente, as chances de o Republicanos eleger um bom número de prefeitos na próxima eleição municipal, fortalecendo-se nos próximos anos dentro do mapa geopolítico do Espírito Santo.
Esse fortalecimento é estratégico para o crescimento político de Erick Musso e, sobretudo, de Amaro Neto, no cenário estadual. Como se sabe, o deputado federal projeta chegar ao governo do Espírito Santo na eleição de 2022 ou na seguinte.
Mais prefeitos eleitos, de preferência bem distribuídos, significam mais cabos eleitorais trabalhando por Amaro (ou quem quer que seja o candidato do Republicanos) na próxima eleição majoritária estadual.

A VERDADEIRA “REPÚBLICA DO REPUBLICANOS”

Em Aracruz, terra de Erick, a expressão “República do Republicanos” se justifica mesmo. Por influência do presidente da Assembleia, o partido filiou nada menos que quatro vereadores durante a janela para os parlamentares municipais trocarem de partido, fechada no último dia 3. Com os três que já tinha, saltou para sete, perfazendo, hoje, quase a metade do plenário da Câmara de Aracruz, que tem um total de 17 vereadores.

SUCESSO NAS NEGOCIAÇÕES

Pode-se concluir que o Republicanos teve grande êxito na recente fase de negociações em que os prefeitos em geral foram intensamente assediados pelos dirigentes partidários em geral. Enquanto partidos tradicionais, como o MDB e o PSDB, saíram dessa fase de trocas com menos prefeitos no Estado do que entraram, o Republicanos obteve saldo muito positivo.

GRANDE VITÓRIA: AMARO, PAZOLINI E HUDSON

Cabe destacar também que, além dos prefeitos filiados no interior e que devem buscar a reeleição, o Republicanos tem hoje três pré-candidatos a prefeito na Grande Vitória: Amaro Neto na Serra e os deputados estaduais Lorenzo Pazolini em Vitória e Hudson Leal em Vila Velha. Os dois últimos se declaram pré-candidatos publicamente. Já Amaro até hoje não assumiu pré-candidatura.

ALIÁS, COMO FICA HUDSON?

Mesmo sem assumir isso, o movimento de Amaro de transferir seu título eleitoral de Vitória para a Serra representa uma probabilidade enorme de que ele lance mesmo candidatura a prefeito da cidade. Se isso se confirmar, Hudson Leal pode “sobrar”, isto é, ser forçado a retirar a candidatura em Vila Velha.

EXCESSO DE CANDIDATOS

Como sabem todos os políticos experimentados, é muito difícil que um mesmo partido lance candidatos próprios a prefeito em mais de duas cidades da Grande Vitória ao mesmo tempo, por um motivo simples: essa ambição toda dificulta enormemente o firmamento de alianças em cada município, pois essas, em geral, requerem contrapartidas em outros municípios: "eu apoio seu candidato na cidade A, contanto que você apoie o meu na cidade B". É o jogo jogado.
Desde o ano passado, Hudson afirma que, se tiver 1% nas pesquisas de intenção de voto, será candidato à Prefeitura de Vila Velha. Mas isso não dependerá só dele...

GRANDE RIVAL: PSB

Quanto ao número de prefeitos com mandato filiados nas últimas semanas, o único partido que rivaliza com o Republicanos no Espírito Santo é o PSB. Encerrada a fase de filiações de pré-candidatos, o partido do governador Renato Casagrande saltou de 4 para 9 prefeitos no Estado. Essa constatação é interessante por duas razões: em primeiro lugar, Republicanos e PSB controlam hoje, respectivamente, o Poder Legislativo e o Executivo no Espírito Santo.
Em segundo lugar, Casagrande e Amaro podem se enfrentar nas urnas na eleição estadual de 2022. Tendo isso em vista, para ambos é muito importante que o respectivo partido eleja o maior número de prefeitos em outubro.

PARA CONSTAR

Na eleição municipal de 2016, o Republicanos (então PRB) só elegeu um prefeito no Espírito Santo. Foi Arnobio Pinheiro Silva, por acaso eleito no município que consta no seu sobrenome: Pinheiros, no Norte do Estado. Mas ele já saiu do partido.

Cena Política: em Itapemirim, o número do partido veio no abono!

Em Itapemirim, o prefeito Thiago Peçanha (ex-PSDB) vem namorando desde o ano passado com o Republicanos, cujo número de urna é o 10. Até aí tudo bem. Ocorre que, no fim de 2019, a prefeitura concedeu um generoso abono aos servidores municipais. O valor chamou a atenção de quem é do meio político: precisamente, R$ 3.010,00. Assim mesmo: três  mil e dez, quebrados. Quando a coincidência é demais...

Pode isso?!?

Vitor Vogas

Jornalista de A Gazeta desde 2008 e colunista de Política desde 2015. Publica diariamente informações e análises sobre os bastidores do poder no Espírito Santo

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